Uma websérie sobre o universo de atração, desejo, mágoa e vingança de duas mulheres conectadas por um carma que precisará de mais de uma vida para ser resolvido

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Bliss na Casa da Monet

1ª Exibição de Bliss na Casa da Monet

Arte: Mito Freelance (www.mitofreela.wordpress.com)

A primeira exibição pública do Episódio Piloto de Bliss já tem data marcada: 7 de Julho, a partir das 19h, na Casa da Monet – Rua Angustura, 122, Serra. BH – MG.

Mais de uma vida. Muitas conexões.

Descubra como os destinos de Anna e Valentina se cruzam neste primeiro episódio da série Bliss! Uma série com muitas nuances, como a própria personalidade feminina. Prepare-se para se extasiar com os mistérios, a sensualidade e o sabor destas mulheres!

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"La Despedida"

Tive vontade de falar de Marina. De falar de Luna através dela. Admito que o passado dessa história me instiga um pouco mais do que o presente. Ocorre o contrário com a Manu. Se ela é Valentina, eu sou Marina: Aquele cheiro de antigo mistério, aquela dor pelo não ser e toda a fúria de não amar. Assim é Marina. E ela se despede.

“La Despedida” é um quadro da pintora Remédios Varo que serviu como uma luva a uma cena do roteiro e como um guia para a estética do passado. A emoção, as cores, a poesia do quadro anseiam por ultrapassar o movimento das imagens de “Bliss” e tocarem vocês. Esperamos tocar intensamente! O êxtase do prazer e da dor. Assim seja!

Marina já foi tocada por um “Bliss”. Agora aguarda a hora de poder falar, de poder concretizar em uma catarse exibicionista, tudo o que guardou. As águas rolam, as sombras se encontram e o destino nunca pára. Eu sou Marina. Eu sou mistério, fome e torpor. E, como dirá Valentina: “A despedida é, por natureza, a sugestão do reencontro”.


Valentina’s Diary – I

Em primeiro lugar… tratando-se de escrever em geral , o que sempre me surpreende é que cada vez que eu escrevo um personagem eu tenho mais certeza: Eu não faço os personagens… Eles se fazem através de mim. E escrever a Valentina, em especial, foge à minha compreensão a maioria das vezes, porque ela é do tipo de personagem que não se abre para mim quando eu quero (Só tenho esse ‘issue’ com ela e com mais uma personagem minha). É ela quem faz as regras.

Por isso, em estilo ‘quase psicótico de ser’, decido apresentá-la através das páginas do seu diário.

Ps – Sei que não falei sobre mim, mas acho que hoje é só sobre ela!

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Valentina’s Diary I

INSÔNIA

Eu sempre gostei do que se acumula se emaranha e confunde os olhos nos recantos dos recintos.

Mas o tempo fez de mim uma minimalista praticante.

As pessoas estão acostumadas a te dizer para rezar para a luz, mas eu aprendi que tudo, absolutamente tudo, pode acontecer no escuro.

É quando estou deitada no canto escuro que o gato vem e ronronando deita-se no meu travesseiro e me acaricia.

Eu penso que as pílulas podem ter me dado uma impressão errada, mas não há duvidas: De fato ele passa as patas pelo meu rosto e me acaricia…

Por trás de cada verdadeiro tesouro sempre tem de existir uma lenda.

Ouvi dizer algo sobre gatos de qualquer espécie. Era que se você olhar bem fundo dos olhos dele, ele tomará sua alma e a levará com ele, ele a fará sua escrava.

Não me lembro quando eu percebi o quanto tinha afinidade com felinos, mas me lembro da primeira vez que ela me disse que gostava de gatos.

Começo a pensar que pode ser verdade, quando ainda no escuro e com ele no meu travesseiro, me pego retribuindo aquelas carícias por gratidão. Seu pêlo na minha pele leva toda a corrente pesada que impedia que eu fechasse os olhos e me tornasse inconsciente. E eu, ligeiramente frágil, posso ser tão grata pelo que ele fez por mim que seria capaz de ficar a noite toda acariciando-o até que ele resolva dormir.

Detenho-me de praticar esse rito quando sinto a unha dele, tocar sem querer a maçã no meu rosto. Em uma contração involuntária me lembro que ela não ficaria ali a noite toda. Na verdade ela já teria se levantado há muito tempo, depois de descobrir o que realmente precisava fazer.

Ela compreenderia que ele era uma ponte, entre ela e o que ela precisava. E ela não se importaria tanto com ele, ela não se importaria muito com ninguém.

Eu rezei para o claro essa noite, pensando nos conselhos alheios, mas não sei se quero codificar relação entre esse ato, com o que se iluminou no escuro, mesmo estando claro que algo inusual aconteceu.

Como gosto de acreditar na veracidade, mesmo que parcial do que é antigo penso que a lenda talvez simplesmente não funcione para todo mundo… Porque se a alma dela não está guardada dentro do meu colar, eu garanto que não está nos olhos de gato algum. Ao contrário, acho que seria mais fácil ver almas de gatos tentando escapar pela boca dela.

Voltando a ser eu, sinto uma pontada no coração. Saudade dela. Dói. Ao mesmo tempo penso que estou cansada, de às vezes ser ela, às vezes ser eu. E justo eu, que sei viver o duplo com tanta maestria. Sei que não nasci assim, mas pratiquei tanto que hoje não lembro como era quando era diferente.

… I fake it so real I have beyond fake….*

No escuro eu entendi do que eu precisava. Era isso que importava.

Eu sempre gostei do que se acumula se emaranha e confunde os olhos nos recantos dos recintos.

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Mas o tempo fez de mim uma minimalista praticante.

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…Apesar disso ainda me surpreendo quando descubro que escrever é a solução.

* Referencia a música Doll Parts – Hole

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As outras personagens serão apresentadas (e eu também)…. questão de tempo.

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