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Pimenta Rosa

Foto: Mari Mota

Vou falar um pouco sobre a simbologia em Bliss. Existem alguns elementos que serão recorrentes na série, e têm grande importância para o conceito geral e para uma profundidade maior de significados de determinadas cenas e imagens. Um dos símbolos mais importantes é a pimenta rosa (Schinus terebinthifolius). Ela aparece no trailer e na primeira cena do episódio piloto, onde seus grãos são triturados por Marina.

A escolha deste elemento não foi aletória. A pimenta rosa é uma especiaria tipicamente brasileira, também conhecida como aroeira. Em Bliss, ela tem o papel de ligação entre o passado e o presente, além de condensar grande parte dos conceitos que buscamos para a série. Seus grãos trazem um toque de autenticidade, sabor, sensualidade, diversidade, mistério, conflito, dualidade.

Você sabia que a pimenta rosa, na verdade, não é uma pimenta? Utilizada na culinária como substituta da pimenta do reino, apesar do nome, não arde. Além do seu uso gastronômico tem uma infinidade de propriedades medicinais e outras aplicações diversas.


"La Despedida"

Tive vontade de falar de Marina. De falar de Luna através dela. Admito que o passado dessa história me instiga um pouco mais do que o presente. Ocorre o contrário com a Manu. Se ela é Valentina, eu sou Marina: Aquele cheiro de antigo mistério, aquela dor pelo não ser e toda a fúria de não amar. Assim é Marina. E ela se despede.

“La Despedida” é um quadro da pintora Remédios Varo que serviu como uma luva a uma cena do roteiro e como um guia para a estética do passado. A emoção, as cores, a poesia do quadro anseiam por ultrapassar o movimento das imagens de “Bliss” e tocarem vocês. Esperamos tocar intensamente! O êxtase do prazer e da dor. Assim seja!

Marina já foi tocada por um “Bliss”. Agora aguarda a hora de poder falar, de poder concretizar em uma catarse exibicionista, tudo o que guardou. As águas rolam, as sombras se encontram e o destino nunca pára. Eu sou Marina. Eu sou mistério, fome e torpor. E, como dirá Valentina: “A despedida é, por natureza, a sugestão do reencontro”.