Uma websérie sobre o universo de atração, desejo, mágoa e vingança de duas mulheres conectadas por um carma que precisará de mais de uma vida para ser resolvido

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Pimenta Rosa

Foto: Mari Mota

Vou falar um pouco sobre a simbologia em Bliss. Existem alguns elementos que serão recorrentes na série, e têm grande importância para o conceito geral e para uma profundidade maior de significados de determinadas cenas e imagens. Um dos símbolos mais importantes é a pimenta rosa (Schinus terebinthifolius). Ela aparece no trailer e na primeira cena do episódio piloto, onde seus grãos são triturados por Marina.

A escolha deste elemento não foi aletória. A pimenta rosa é uma especiaria tipicamente brasileira, também conhecida como aroeira. Em Bliss, ela tem o papel de ligação entre o passado e o presente, além de condensar grande parte dos conceitos que buscamos para a série. Seus grãos trazem um toque de autenticidade, sabor, sensualidade, diversidade, mistério, conflito, dualidade.

Você sabia que a pimenta rosa, na verdade, não é uma pimenta? Utilizada na culinária como substituta da pimenta do reino, apesar do nome, não arde. Além do seu uso gastronômico tem uma infinidade de propriedades medicinais e outras aplicações diversas.

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O Silêncio de Marina

De Marina eu conheci a sombra, silhueta postada em um banco de madeira sob a luz de uma lua que explodia de tão cheia, tão previsível. Marina é reflexo de uma luz que escancarava aquela janela em tardes frescas, tão insuportavelmente transparentes que faziam da própria existência a coisa que mais doía.

“Inauguro com este silêncio a inscrição em minha lápide de ilusões. É mais um gesto intempestivo cravando fundo o aço, e o corpo que o sustenta.”

Com o véu de qualquer medo, Marina derrete segredos em torrentes que escorrem por suas mãos. Em sua face transparecem marcas de um futuro que desconhece, mas não deixa de sentir. Ela é passagem, espelho, vazio prenhe de cores absurdas. Aurora boreal, sem espaço para brilhar, pinta o infinito com seu desejo.

“É preciso inscrever algo sobre a lápide do meu silêncio. Gestos também são vestígios, um tipo de palavras com muito menos esconderijos para a dor.”

No silêncio da casa
À noite 
Até o respirar causa 
Estrondo

Foto: Mariana Mota
O silencio ecoava enquanto Marina se quebrava por inteiro, para não deixar que os outros virassem cacos.

"La Despedida"

Tive vontade de falar de Marina. De falar de Luna através dela. Admito que o passado dessa história me instiga um pouco mais do que o presente. Ocorre o contrário com a Manu. Se ela é Valentina, eu sou Marina: Aquele cheiro de antigo mistério, aquela dor pelo não ser e toda a fúria de não amar. Assim é Marina. E ela se despede.

“La Despedida” é um quadro da pintora Remédios Varo que serviu como uma luva a uma cena do roteiro e como um guia para a estética do passado. A emoção, as cores, a poesia do quadro anseiam por ultrapassar o movimento das imagens de “Bliss” e tocarem vocês. Esperamos tocar intensamente! O êxtase do prazer e da dor. Assim seja!

Marina já foi tocada por um “Bliss”. Agora aguarda a hora de poder falar, de poder concretizar em uma catarse exibicionista, tudo o que guardou. As águas rolam, as sombras se encontram e o destino nunca pára. Eu sou Marina. Eu sou mistério, fome e torpor. E, como dirá Valentina: “A despedida é, por natureza, a sugestão do reencontro”.