Uma websérie sobre o universo de atração, desejo, mágoa e vingança de duas mulheres conectadas por um carma que precisará de mais de uma vida para ser resolvido

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"La Despedida"

Tive vontade de falar de Marina. De falar de Luna através dela. Admito que o passado dessa história me instiga um pouco mais do que o presente. Ocorre o contrário com a Manu. Se ela é Valentina, eu sou Marina: Aquele cheiro de antigo mistério, aquela dor pelo não ser e toda a fúria de não amar. Assim é Marina. E ela se despede.

“La Despedida” é um quadro da pintora Remédios Varo que serviu como uma luva a uma cena do roteiro e como um guia para a estética do passado. A emoção, as cores, a poesia do quadro anseiam por ultrapassar o movimento das imagens de “Bliss” e tocarem vocês. Esperamos tocar intensamente! O êxtase do prazer e da dor. Assim seja!

Marina já foi tocada por um “Bliss”. Agora aguarda a hora de poder falar, de poder concretizar em uma catarse exibicionista, tudo o que guardou. As águas rolam, as sombras se encontram e o destino nunca pára. Eu sou Marina. Eu sou mistério, fome e torpor. E, como dirá Valentina: “A despedida é, por natureza, a sugestão do reencontro”.


Inspiração

The Shampoo – Elizabeth Bishop

The still explosions on the rock,
the lichens, grow
by spreading grey, concentric shocks.
They have arranged
to meet the rings around the moon, although
within our memories they have not changed.

And since the heavens will attend
as long on us,
you’ve been, dear friend,
precipitate and pragmatical;
and look what happens. For Time
is nothing if not amenable.

The shooting stars in your black hair
in bright formation
are flocking where,
so straight, so soon?
– Come, let me wash it in this big tin basin,
battered and shiny like the moon.

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O Banho de Xampu (trad. Ruy Vasconcelos de Carvalho)

Os liquens – silenciosas explosões
nas pedras – crescem e engordam,
concêntricas, cinzentas concussões.
Têm um encontro marcado com
os halos ao redor da lua, embora
até o momento nada tenha mudado.

E como o céu há de nos dar guarida,
enquanto isso não se der,
você há de convir, amiga,
que se precipitou;
e eis no que dá. Porque o Tempo é,
mais que tudo, contemporizador.

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?
– Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nessa bacia
amassada e brilhante como a lua.